Conceitos. Ideias.

Conhecer a diversidade e a complexidade.

Definir recursos, estratégias e alternativas.

Viabilizar a participação e a autonomia.

“Alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física.”

(Decreto nº 5.296, de 2004)

Situações diferentes...

...respostas diferentes

Quadros estáveis(Lesões neurológicas não evolutivas)
Paralisia cerebral
Manifestações clínicas variadas, caracterizadas por dificuldade motora causada por falta de oxigenação das células cerebrais durante o desenvolvimento do Sistema Nervoso Central (da concepção até os 2 anos de idade).
Traumas medulares
Alterações sensitivas e motoras causadas por lesão ou movimento brusco da coluna vertebral. Problemas irreversíveis ou de recuperação variável.
Quadros progressivos(Aumento progressivo de dificuldades funcionais e de saúde)
Distrofias musculares
Grupo de mais de 30 doenças genéticas que afetam primariamente os músculos e provocam sua degeneração progressiva.
Tumores do sistema nervoso central
Tumores benignos ou malignos localizados no cérebro ou na medula. Podem afetar o funcionamento de membros inferiores e/ou superiores.

Recursos e estimulação

diminuem as limitações.

É importante considerar...

Trata-se de um quadro progressivo ou de uma lesão não evolutiva?

Existem alterações da sensibilidade tátil, térmica ou dolorosa?

Há complicações associadas (epilepsia, problemas respiratórios, cardiovasculares ou outros)?

Há alguma privação sensorial (visuais ou auditivas), deficiência Intelectual, autismo associadas?

São necessárias internações hospitalares regulares?

Há necessidade de formas alternativas de comunicação?

Condições para o trabalho

a aprendizagem e a participação

Locomoção
Comunicação
Conforto
Segurança

As deficiências físicas: conceitos

Cláudia A. Bisol e Carla Beatris Valentini

O ditado popular que afirma que “cada caso é um caso” é muito sábio. Cada caso é realmente um caso, por isso, ao nos depararmos com uma criança, adolescente ou adulto, seja em situação de educação inclusiva ou em um ambiente de trabalho, é importante atentar para a história, as particularidades, os detalhes.

Claro que nem todo mundo precisa ter o conhecimento de um fisioterapeuta ou de um médico. Mas há conhecimentos importantes que auxiliam a construir estratégias que podem facilitar a aprendizagem e a convivência escolar. Ou, no caso de uma empresa, conhecimentos que poderão auxiliar um gestor a organizar a rotina de trabalho de um funcionário com deficiência.

Uma forma de considerar “cada caso” é através de uma compreensão dos principais fatores que ocasionam uma deficiência física. Os tipos mais frequentes de deficiência física podem ser organizados em dois grandes grupos:

  • Quadros relacionados a lesões neurológicas não evolutivas: a situação da pessoa com deficiência física é mais estável, ou seja, não se esperam agravos nas condições de saúde ou aumento das dificuldades do indivíduo.Como exemplo, pode-se citar as paralisias cerebrais e os traumas medulares.

A utilização de recursos adequados e a estimulação apropriada tendem a propiciar aumento na independência e na autonomia (mesmo que, em alguns casos mais graves, este aumento seja sutil).

  • Quadros progressivos, relacionados a tumores do sistema nervoso central ou a doenças genéticas: são situações que tendem ao aumento progressivo das dificuldades funcionais e de saúde. Como exemplo das doenças genéticas mais comuns, pode-se citar a distrofia muscular progressiva de Duchenne, a amiotrofia espinal infantil, a distrofia muscular congênita, a distrofia miotônica de Steinert, e as miopatias congênitas, estruturais e não estruturais (Reed, 2002).

A utilização de recursos adequados e a estimulação apropriada poderá auxiliar muito na vida diária, promover aumento na qualidade de vida e proporcionar ganhos em termos de independência e autonomia. Porém a evolução das doenças pode levar a perdas visíveis com o passar do tempo.

Outra forma de considerar “cada caso” pode ser tentar responder a algumas perguntas. São perguntas relativamente simples, que podem ser respondidas com base na observação e na interação com a própria pessoa com deficiência e com sua família. A primeira pergunta tem relação direta com o que foi dito anteriormente: Trata-se de um quadro evolutivo ou de uma lesão não evolutiva? Pode ser importante se questionar, também:

  • Existem alterações da sensibilidade tátil, térmica ou dolorosa?
  • Há complicações associadas, tais como epilepsia, problemas respiratórios, cardiovasculares, ou outros? Há deficiências sensoriais (deficiência auditiva ou visual), deficiência intelectual associada ou autismo associados?
  • São necessárias internações hospitalares regulares?
  • Há necessidade de formas alternativas de comunicação?

Definições mais específicas para cada caso podem ser facilmente encontradas na literatura especializada. Pesquisar ajuda: informações auxiliam a corrigir mitos, facilitar caminhos, auxiliar na construção de estratégias.

No entanto, nenhuma informação substitui a sensibilidade e as relações que podemos estabelecer com a pessoa que existe para além de uma doença, de uma síndrome, de uma sequela… Contar  com a própria pessoa e trabalhar colaborativamente auxiliará na construção das melhores condições para o trabalho, para a aprendizagem e para a participação. A pessoa é muito mais do que uma lesão e muito mais do que um diagnóstico.

Conhecer algumas das condições concretas ajuda a remover as barreiras arquitetônicas e atitudinais que impedem que o potencial que cada um tem se desenvolva de modo pleno.

Bibliografia
Reed, UC. Doenças neuromusculares. J Pediatr. Rio de Janeiro,78 Suppl 1:S89-S103, 2002.
Schirmer, C.; Browining, N.; Bersch, R.C.R., & Machado, R. Atendimento Educacional Especializado: Deficiência física. São Paulo: MEC/SEESP, 2007.

Para citar este texto
Bisol, C. A. & Valentini, C. B. As deficiências físicas: conceitos. Projeto Incluir – UCS/FAPERGS/CNPq, 2015.   Disponível em: <https://proincluir.org/deficiencia-fisica/conceitos/22-11-2019